quinta-feira, junho 22, 2017

Ogma vai investir 14 milhões


A empresa de Alverca vai investir um total de 14 milhões de euros este ano. Detida maioritariamente pela Embraer, a OGMA vai produzir várias peças do avião militar KC-390. Ver noticia completa no Jornal de Negócios.

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segunda-feira, maio 29, 2017

Avião checo acidentado em Bensafrim e sua reparação no PMA de Alverca - 1926

No dia 31 de Maio de 1926, o comandante checo Stanovsky, pilotando o biplano Aero A.B.-11, matricula L-BUCD, acompanhado do mecânico Simek, depois de partir de Praga a 25 de Maio 1926, com paragens em Istres, Barcelona, Rabat, Fez e Casablanca, descola desta cidade em direcção a Lisboa, em mais uma etapa da sua viagem através da Europa, África e Ásia.

Mapa da viagem de 15.000 kms do piloto checo Stanovsky no Aero AB-11
Piloto Stanovsky junto do Aero AB-11, em acção de reabastecimento em Croydon
Quando estava perto de Lagos, a hélice de madeira, provavelmente danificada nos terrenos pedregosos de Marrocos, estilhaça-se em pleno voo e obriga o comandante Stanovsky a aterrar num terreno próximo, perto de Bensafrim, Lagos, que lhe pareceu iria causar a destruição total da aeronave. No entanto, o piloto conseguiu aterrar com perícia numa zona mais plana e partir apenas o trem de aterragem e danificar o plano inferior da asa direita.
Informada a Aeronáutica Militar, foi providenciado um hidroavião, pilotado pelo tenente aviador Amado da Cunha, que se deslocou-se ao campo de Odeáxere, Lagos, para avaliar a situação e transportar o piloto checo até ao Parque de Material Aeronáutico, em Alverca.
Devido à greve dos comboios, na sequência dos acontecimentos de 28 de Maio de 1926, foi organizado um comboio especial que transportou o avião, acompanhado pelo mecânico Simeck, até às oficinas do Parque de Material Aeronáutico, em Alverca.


Noticia no Diário de Noticias e no O Algarve
Em 14 dias, as oficinas de Alverca, após recepção das peças solicitadas ao construtor checo, efectuaram a reparação completa do avião, com um custo total de 8.220$99, tendo a viagem prosseguido no dia 19 de Junho de 1926, com destino a Madrid, Paris, Londres, Bruxelas, Roterdam, Copenhaga, Estocolo, Helsingor, Reval, Riga, Kowono, Varsovia, Bucarest, Constantinopla, Angora, Salonica, Atenas, Roma, Viena e Praga, onde chegou a 23 de Julho 1926.

Nº obra  2244 de 1926, do PMA de Alverca, referente à reparação do Aero AB-11

Réplica do Aero A.B.-11 L-BUCD no museu Kelby em Praga
O avião biplano Aero A,B.-11, com algumas semelhanças ao Potez XXV construído nas oficinas de Alverca, foi fabricado pela casa "Aero" de Praga e era equipado com motor "Perun" de 240 CV, também de fabrico checoslovaco, com 6 cilindros em linha, que provou a sua resiliência ao longo da viagem de 15.000 kms.
Termino com uma referência do comandante Skanovsky, ao acolhimento e colaboração da Aviação Militar Portuguesa: « Les Portugais ont été extrêmement aimables. La gréve des chemins de fer sévissait au Portugal; néanmoins, l'aviation militaire a trouvé le moyen de former un train spécial pour emmener mon appareil jusqu'á ses ateliers de Lisboone. C'est lá, après avoir reçu de Tchéco-Slovaquie, les pièces nécessaires que nous avons pu réparer, grâce, il me faut-y insister, au concours cordial et empressé des Portugais.» (Crédito: Les Ailes de 1926-07)

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quarta-feira, maio 17, 2017

Almoço dos ex-colegas OGMA (RR-EA-INST-EL)

Realizou-se no dia 3 de Maio 2017, no restaurante Aeromar, na Ilha de Faro, o almoço dos ex-colegas OGMA (RR-EA-INST-EL) organizado pelo Zé Parreira, que congratulo pela iniciativa de retomar a realização deste encontro, organizado pelo pessoal da Radio Radar, sendo o próximo encontro organizado pelo Carlos Madrugo e Januário. As fotos deste almoço podem ser vistas aqui
http://ex-ogma.blogspot.pt/2017/05/almoco-dos-ex-colegas-ogma-rr-ea-inst-el_5.html

segunda-feira, maio 01, 2017

Construção de hélices nas OGMA - 1930

O engenheiro mecânico francês Leon G. Wilfart, contratado em 1916, para proceder à montagem dos aviões Farman-F40 e Caudron G-3, no Parque de Material Aeronáutico, em Vila Nova da Rainha, o qual transitaria a partir de Agosto de 1918, para Alverca do Ribatejo, escreveu um interessante artigo sobre a construção de hélices nas OGMA, publicado no Noticias Ilustrado de 29-11-1930. Nessa altura já o PMA e depois as OGMA tinham construído 50 aviões Caudron G-3 (1922-1924) e iniciado a construção de 55 motores Gnome-Rhone Jupiter VII 420 cv (1930).

O engenheiro Wilfart junto ao 1º banco de ensaios de motores que montou, único no país.
Transcrevo integralmente o referido artigo.
«A HÉLICE AÉREA
COMO SE FAZ UM A HÉLICE DE AVIÃO
A descoberta da hélice aérea não é recente como realmente poderia julgar-se e, sem voltar ao século XV, época em que Leonardo da Vinci, o genial artista florentino, deixa entrever, num estudo notável para o tempo, a aplicação da hélice nos aparelhos volantes, o ano de 1784 marca a aparição dum pequeno helicóptero constituindo o primeiro aparelho aéreo mais pesado que o ar que conseguiu elevar-se pelos seus próprios meios.
No fim do século XIX, vê-se aplicar a hélice como propulsor nas aeronaves mais ligeiras e mais pesadas que o ar, dirigíveis por piloto, as quaes deram realmente os primeiros resultados práticos obtidos nos domínios da navegação aérea.
A partir desta época, a ideia de propulsão por meios de hélices fica intimamente ligada a toda a concepção de aparelho volante e os trabalhos de Renard, Drzewiecki, Eiffel, Dorand e Rateau, para não citar só os principais, permitiram levar a hélice a um grau de perfeição que a torna comparável aos melhores transformadores de movimento.
Definiremos sumariamente a hélice, dizendo que é um órgão susceptível de transformar um movimento de rotação num movimento de transladação e, se, examinarmos a maneira como ela é construída, poderemos constatar que é formada de uma parte central chamada cubo, que vem fixar-se no veio motor, e de um certo número de pás, ligadas a este cubo e cujo número (geralmente duas, às vezes quatro) é função da velocidade de rotação em regímen normal e das condições de adaptação do propulsor ao aparelho.
A hélice diz-se «tractora» ou «propulsora» conforme se encontra colocada adiante ou atraz (em relação ao sentido de marcha da aeronave) do motor ao qual está aplicada e, no caso de aviões, conforme estiver situada adiante ou atraz das superfícies principaes de sustentação (azas ou planos).
As primeiras hélices aéreas eram formadas por uma armação em madeira ou metálica coberta de um tecido, mas as velocidades e as potências em jogo, obrigaram rapidamente os constructores a adoptar hélices formadas de um bloco de madeira que são ainda actualmente as mais empregadas.
Estas hélices são fabricadas em mogno, nogueira, faia inglesa, ulmo ou freixo e são sempre protegidas por um induto, verniz celulósico ou à base de gomas naturais ou sintéticas, baquelite, xarão, etc., possuindo as qualidades requeridas de aderência e de resistência aos agentes químicos (água do mar, gazolina, óleo), podendo ser parcialmente enteladas e, igualmente, receber uma blindagem ou protecção metálica contra os choques ocasionados pelas hervas, areia ou pedritas arrastadas na corrente de ar da hélice antes de voo e depois da aterragem, pela chuva, granizo e, no caso particular dos hidro-aviões, pelas projecções de água.
Todavia, os progressos recentes da metalurgia permitiram a construção de hélices metálicas dando excelentes resultados, as quais devem vir pouco a pouco substituindo as hélices de madeira, em razão da sua maior duração e da propriedade que possuem de não se deformarem sob a influência das intempéries. Os metaes empregados actualmente na construção das hélices são os seguintes: aços especiais de alta resistência, ligas ligeiras de alumínio (densidade 2,8) e o magnésio (densidade 1,8) e as suas diferentes ligas. A adopção do metal permitiu encontrar a solução prática de diversos problemas dizendo respeito à adaptação óptima do propulsor aos diferentes regimens de vôo do avião e de construir para este fim hélices de deformações temporárias, baseadas scientificamente, comandadas pelo piloto ou de funcionamento automático e cujo estudo excederia o quadro deste artigo.- Podemos dizer simplesmente de passagem que os ensaios efectuados sobre este assunto teem dado resultados interessantes.
As Oficinas Gerais de Material Aeronáutico de Alverca fabricam, já há anos, hélices em madeira destinadas ao equipamento dos aviões e hidro-aviões pertencentes às unidades militares e navaes da Aeronáutica e possuem todas as instalações necessárias para a sua construção, a qual pode comparar-se à das melhores casas estrangeiras trabalhando nesta especialidade. Estas hélices são fabricadas numa das madeiras seguintes: mogno de Cuba ou de Honduras, nogueira da Europa ou faia inglesa e, no intuito de lhes aumentar a resistência, por uma disposição racional das fibras da madeira, assim como para facilitar a construção e evitar, na medida do possível, os desperdícios da matéria prima, são as hélices tiradas de um bloco constituído por um certo número de pranchas de pequena espessura (15 a 25 mm) coladas umas sobre as outras com uma cola de base de «caseina».
Passemos agora às diferentes fases da construção. – Na posse do desenho representando a hélice, procede-se à elaboração do traçado em tamanho natural que permite a execução das bitolas, que devem servir ao recorte das pranchas formando a hélice, ao fabrico dos reprodutores (no caso de construção em série) e à verificação das diferentes secções das pás no decurso do trabalho e depois do acabamento. Este trabalho preliminar é feito só uma vez, qualquer que seja o número de hélices do mesmo tipo a construir e acabado ele, as operações necessárias à fabricação da hélice propriamente dita sucedem-se na seguinte ordem:

1º-Preparação do bloco: as pranchas brutas são cerceadas conforme a bitola de recorte, aplainadas à máquina e passadas com uma plaina de dentes finos para facilitar a colagem, depois são coladas umas sobre as outras com cola de «caseína» e apertadas enérgicamente num estaleiro especial durante 12 horas pelo menos. – O bloco assim constituído é, em seguida, retirado do estaleiro, posto em descanso durante 48 horas e desbastado depois na serra de fita, deixando-se secar durante 20 dias, pelo menos, antes da furação e acabamento.

2º-Furação: O furo central e os furos de passagem dos parafusos de fixação do cubo metálico são feitos com a maior precisão numa máquina especial.

3º-Acabamento: a hélice toma pouco mais ou menos as suas dimensões e forma definitivas, numa máquina munida dum reprodutor ou molde, e cujo porta-ferramenta guarnecido de cutelos, girando a 6.000 voltas por minuto corta a madeira em excesso existente no bloco. – Em seguida a hélice é acabada à mão, sendo a verificação do trabalho feito com as bitolas, e polida com um raspador e lixa branca. Durante estas últimas operações, procede-se a diferentes verificações de equilibragem.

4º-Protecção: como acima já foi dito, a hélice pode ser entelada, blindada ou mesmo receber estes dois dispositivos de protecção: algumas hélices de pequenas dimensões não comportam nem entelagem nem blindagem, não recebendo senão o induto especial aplicado em todos os casos.
A entelagem consiste na aplicação de uma tira de tela colada, abrangendo a maior parte da superfície das pás. A blindagem é constituída por um revestimento metálico rebitado ou aparafusado no bordo das pás (bordo de ataque), este revestimento é ordinariamente executado em chapa de duralumínio ou de latão nos aparelhos terrestres e em chapa de latão ou de cobre nos hidro-aviões.

5º- Equilibragem final: depois da aplicação do induto, a hélice é colocada numa balança especial de maneira a verificar se existem diferenças de peso de uma para a outra pá; esta verificação é efectuada com o maior rigor e qualquer diferença é corrigida pela aplicação de camadas suplementares de induto na pá mais leve. O fim desta equilibragem é de evitar vibrações durante o funcionamento da hélice. Torna-se indispensável que todas estas operações sejam executadas meticulosamente e que o material empregado corresponda rigorosamente às condições impostas para a sua aplicação. Uma fiscalização severa baseada em grande parte nos ensaios de resistência, assegura a observação destas prescripções no decurso do trabalho.
L.G.WILFART
Engenheiro»
(Noticias Ilustrado de 29-11-1930)

Representação das OGMA na Exposição de Sevilha em 1931





Algumas das hélices em exposição no Museu do Ar em Alverca.

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terça-feira, abril 04, 2017

Ogma atinge lucros de 10,1 milhões de euros e elege novo CEO

A empresa elegeu novos órgãos sociais, com a designação de Marco Tulio Pellegrini como novo presidente da sociedade.

A Ogma registou, em 2016, lucros de mais de 10 milhões de euros, segundo adiantou a empresa em comunicado esta segunda-feira, 3 de Abril. "A empresa atingiu um volume de vendas de 195,4 milhões de euros, e um lucro de 10,1 milhões de euros, tendo sido aprovado, também, a distribuição de lucros pelos colaboradores no total de 1,47 milhões de euros, que serão distribuídos conforme critérios de elegibilidade e cumprimento de metas", referiu a sociedade em comunicado.
Já este fim-de-semana, o ex-presidente da Ogma, Rodrigo Rosa, disse, em entrevista à rádio TSF que a empresa pretende distribuir parte dos lucros obtidos em 2016, ou seja, cerca de 1,5 milhões de euros, pelos seus funcionários.
A empresa elegeu ainda novos órgãos sociais para o triénio 2017-2019, tendo designado Marco Tulio Pellegrini (na foto) como novo presidente do conselho de administração, sucedendo a Rodrigo Rosa, "que agora assume funções como CFO da Embraer para a região da Europa, África e Médio Oriente", adiantou o mesmo comunicado. Continuará com assento no conselho de administração da Ogma como administrador não-executivo.
"Foram também aprovados os nomes de Jackson Schneider e Luís Carlos Affonso como representantes da Airholding (100% detida pela Embraer) e Júlio Castro Caldas e o General Luís Esteves de Araújo em representação da Empordef (100% detida pelo Estado Português)", segundo o mesmo comunicado.
A Ogma é detida em 65% pela Airholding SGPS (100% Embraer) e em 35% pela Empordef (100% Estado Português) desde a sua privatização em 2005. A empresa conta com mais de 1700 trabalhadores. Créditos: Jornal de Negócios

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domingo, fevereiro 12, 2017

OGMA com novo hangar de pintura

A OGMA - Indústria Aeronáutica de Portugal, sediada em Alverca do Ribatejo, inaugurou esta terça-feira, 7 de Fevereiro, um novo hangar de pintura de aeronaves. O espaço, avaliado em 10 milhões de euros, está equipado com materiais que respeitam todas as normas ambientais e de higiene. O hangar ocupa um espaço de 4 mil metros quadrados. É composto por duas cabines onde podem receber simultaneamente aeronaves de médio e pequeno porte, além de outras cabines para pintura de componentes. Há um controlo do tamanho das partículas no ar insuflado e recolha automática dos resíduos resultantes do processo de lavagem, tratamento de superfície e de pintura química das aeronaves e a sua correcta separação. A iluminação faz-se através de lâmpadas LED. Ver noticia completa no Mirante.

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domingo, janeiro 29, 2017

China contrata manutenção de aviões em Alverca


Há novos países no cardápio da OGMA - Indústria Aeronáutica de Portugal. E estão localizados a oriente. A empresa assinou recentemente um contrato de três anos para a manutenção geral de 15 aeronaves. Mas a grande ‘lança’ na Ásia é a China: foi firmado um contrato, também de três anos, com um operador chinês para manutenção dos trens de aterragem de uma frota de 20 aviões E-Jets de médio curso da Embraer. Quase com 100 anos de atividade - que completará em 2018 -, a OGMA continua a crescer, captou novos clientes internacionais e aumentou as suas valências com uma nova área de pintura de aviões, que começará a funcionar no início do ano. Por isso, em 2017 vai contratar mais trabalhadores (tem atualmente 1734 funcionários) e também este ano prevê investir €14 milhões para se preparar para a robotização - a designada indústria 4.0.
Rodrigo Rosa, presidente da OGMA, diz que 2016 “correu bem”, com um crescimento de 4% no volume de negócios face aos €188 milhões registados em 2015, ano em que a empresa apresentou um lucro recorde de €11,6 milhões, e acredita que “2017 terá um desempenho ainda melhor, com o contributo de novas áreas”. Ver noticia no Expresso on-line.

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